Perdoa-me, Barrie, onde estiver...

O ritmo cadente e atribulado de uma grande cidade ao despertar para noite tornou impossível a qualquer dos seus habitantes perceber uma estranha figura pousada em cima de um prédio. O menino de roupas verdes, que, mas se assemelhavam a grandes folhas de Palmeiras cuidadosamente entrelaçadas, suas orelhas ligeiramente pontiagudas, talvez revelando um parentesco com o povo dos elfos... é possível,tudo o é.

Havia um brilho rosado e forte pousado no ombro do menino de roupas verdes. Numa visão próxima, o ponto nada mais era do que uma bela jovem, porém diminuta ao tamanho de um polegar. Tendo as formas de uma moça adulta de cabelo desgrenhado e púrpura. Em suas costas havia dois pares de asas tão transparentes quanto a água. Apesar de seu brilho sugerir algo como um pequeno sol ou estrela, a face da pequenina fada denotava descontentamento...

Os grandes olhos do menino de roupas verdes percorriam velozmente cada recanto da cidade, parecia procurar por algo... Num gesto rápido, em que moveu a cabeça com tanta força, atirou ao ar a fada em seu ombro. O menino de roupas verdes parecia ter ouvido alguma coisa...

Voando baixo e rápido, alheio a sua imagem refletida nos vidraças dos prédios, o menino de roupas verdes se aproximou de uma janela, parado no ar, seus pés balançando, como se procurassem o chão sem o achar. A fada se aproximou e o beliscou com toda força que pode, mas, tão atento ele estava que pareceu nada sentir...

Com fascínio nos olhos, o menino de roupas verdes teve sua atenção totalmente roubada pelo que via; uma jovem de notável beleza recostada à cama de uma velha senhora. O menino de roupas verdes não poderia saber naquela ocasião, mas de uma forma totalmente diferente da que imaginava, estava diante do tesouro que procurava...

A Fada em seu ombro não gostou nada da expressão na face do menino...

A jovem lá dentro, sem saber nada sobre seus dois espectadores secretos, ergueu-se sobre a velha, que era a sua avó, ajeitou o seu cobertor e a beijou na face.

“_ Você é um verdadeiro amor, minha filha.” – disse a velha senhora. A menina sorriu.

“_ Boa noite, vó.” Disse a menina. Em seguida caminhou até a porta.

O menino de roupas verdes arregalou os olhos o máximo que pode, tamanha foi sua surpresa ao ouvir as palavras da velha senhora; “... verdadeiro amor.”

“ _ Viu, Sininho, é ela... Nós encontramos o amor. Temos que levá-lo.”

Sininho o olhou com glacial expressão. Sua voz, que mais se assemelhava com o repicar de sinos, saiu num tom alto e severo, somente compreendido pelo menino de roupas verdes. Ela o chamou de Peter e antes que pudesse dizer que aquela menina magrela não poderia ser o tesouro que buscavam... Peter saiu voando sem lhe dar atenção...

Um comentário:

Unknown disse...

Eu sou o amor!!! U__Ú