O Vampiro Armand.

Uma miscelânea de muitos eu’s que já fui e que sou no presente momento.

Andrei; Jovem menino angelical, que pintava ícones com talento inenarrável.Pintava-os, não com mãos humanas, mas de acordo com os padres, com talento divino, ou seja, pintava por inspiração de Deus.

Amadeo; Jovem menino angelical, que depois de violado e vendido como escravo, veio nas mãos de Marius, seu amado mestre, conhecer toda a beleza e prazeres que a Renascença quatrocentista de Veneza poderia oferecer-lhe. Uma época de perguntas e poucas respostas. Época de segredos revelados, de morte e ressurreição.

Armand; Antigo menino angelical, líder de uma assembléia de adoradores do demônio nas profundezas do cemitério les innocents em Paris. Cego, vencido e deixando-se levar pelos pensamentos infames e incoerentes de outros.

Lestat, jovem arrogante e aristocrata sem posse alguma, nobre de corte nenhuma. Lestat que despedaça sonhos e abri até mesmo olhos que desejavam permanecerem fechados.

Lestat, que arrasou minhas idéias levianas, idéias que de outros e por passividade herdei. Lestat, que me deu o Théâtre dês vampires.

Théâtre ao qual chamei de lar, sem nunca realmente o sentir como tal.

Tudo isso é passado. Nada disso realmente importa ou sequer talvez tenha importado algum dia. Abstenho-me de continuar a pintar este quadro irrelevante e de cores cinzas, enevoadas e sem vida.

Não falarei sobre véus, não mencionarei a deus ou o cristo crucificado, estas lembranças só a mim pertencem e já foram mencionadas, por tanto quem não teve entendimento sobre tais palavras, de forma alguma terá aqui.

Hoje ouço a Apassionata tocada por Sybelle, vejo Benji maravilhado com as cores da noite. E eu os amo, um amor verdadeiro e diferente de todos que conheci.

Hoje sou Armand, o vampiro. Sempre o serei.

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