Sonhos reais.

Sonhos.

Escuro. A sala parece imensa, mas não consigo ter noção de suas medidas exatas e nem da cor das paredes.- que importância tem as cores das paredes?- Eu estou acorrentado. Eu penso em gritar quando sou surpreendido por uma abertura na parede que eu nem sequer sabia existir. O som chega forte e abrupto, ferindo meus ouvidos. Risos, vozes em uníssono. Pela fenda eu vejo pessoas que eu sei que conheço... Meus amigos, ao redor um bar, uma noite típica. Todos felizes, mas eles não vêem que estou preso. A visão muda diversas vezes, possibilitando-me ver tudo e todos... ao meu redor. Eu noto com assombro que estou observando eles de dentro da minha mente... A visão muda uma vez mais, meu outro ou verdadeiro eu olha para a mesa. Copos, garrafas e cigarros espalhados. Vejo minha mão segurar um copo e erguê-lo até a boca. E todos sorriem. Todos estão felizes... Eu estou preso, ou eu estou feliz e sorrindo?

O cheiro forte da bebida alcoólica adentra pelas minhas narinas. Meus pés estão úmidos e eu não posso suspendê-los. A sala enche rapidamente e eu identifico o que é...

Lá fora eles continuam a sorrir. Felipe ou Tiago, diz algo muito engraçado, todos morrem de rir, até mesmo o outro ou verdadeiro eu.

O liquido invasor atinge meu peito. Em vão, grito desesperadamente.

Estou me afogando acorrentado dentro da minha mente.

Sonhos.

Um apoteótico deserto. Sede. Sinto minha saliva evaporar deixando apenas um rastro de fumaça, como uma ultima tragada de um cigarro. Eu corro, mas nada encontro além de dunas de areia, mas eu sei que ela esta lá, eu sempre soube onde encontrá-la...

Então eu a vejo.- meu Deus, ela já sabe caminhar... Eu perdi isso, eu perdi tantas coisas...- Ela acena com sua diminuta e rosada mão, esta longe, mas consigo ouvir a palavra que diz... Tenho lagrimas nos olhos. Elas também evaporam, como se eu não fosse digno de vertê-las. Esta longe, mas eu posso ver a espantosa semelhança que temos em comum... Eu corro em sua direção. Eu corro e corro e corro... Fico cansado e ela parece continuar tão distante como no inicio da corrida. Noto que na verdade eu não me movi um passo sequer em sua direção, isso porque eu não estava correndo... De alguma maneira eu fingi para mim que corria. Fraco demais... Eu a vejo sorrir, mas não um sorriso de reconhecimento, talvez um sorriso que ela guarde para qualquer estranho que finja correr...

Estou fingindo que corro em sua direção, porque sou fraco.

Sonhos...

Despertar?

Acordo.

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